terça-feira, 17 de maio de 2011

Até o amanhecer





















Sinto o nascer de cada uma delas.
Sou como a parturiente em dor!
E em cada contração,
Vejo-as uma a uma
Saindo de dentro de mim.
E diante de todos
As abençoo, por serem
formosas! Filhas tão ditosas!
Concebidas com o amor, dor.
As vezes com ódio, rancor.

Mas não importa,
Qual o pai doou a semente.
Seja o sentimento que for
As amo igualmente.
Sinto meu sangue
Correndo em suas veias!
Vejo meus traços em seus rostinhos
Serenos, doces,
amargos, insanos,
Mundanos...

São o osso do meu osso...
Carne da minha carne...
Quero continuar a deliciar-me.
Sentir-me sacudida! Arrebatada!
Impregnada por e com elas.
Oferecer-lhes meu colo
Para chorarem quando estiverem perdidas.
Meus braços quando quiserem o calor de um afago.
Meu útero para nascerem
Quando ninguém mais as quiser.

Oh! Palavras! Palavras!

Andam vós como almas penadas...
Por falta de quem as queira receber!
Mas eu estarei sempre aqui
Venham todas!
Sem demora...
As espero toda tarde, noite.
Esperarei até o amanhecer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário