sexta-feira, 3 de junho de 2011

Plenitude de ser




















Tu me vê de uma maneira tão pequena.
Mas não sou um grão de areia
Perdida na palma da tua mão.
Já fui sim,
Lágrima de amor perfeita.
E morei tanto tempo
Em teu rosto de mármore infinito.

Mas sabes,
Guardei em meu corpo
O aroma de orquídeas selvagens
Das montanhas que estão escondidas
No fim do arco-íris.
Para dar a um ser nobre e cortês.
Quente e luminoso como um sol de verão.
Com um olhar simples como os das pombas.
Que tenha a leveza das alegres borboletas
E a doçura terna e entregada dos cães.

Mas principalmente quero
Que as suas asas sejam
Como as minhas.
Quero reconhecer o seu canto
Assim como os pássaros fêmeas
Reconhecem e escolhem
O seu par pra toda a vida.

Quero alguém que me veja
Não de uma maneira distorcida.
Pois podemos olhar algo ou alguém
E mesmo assim não o ver
Na sua plenitude de ser.
Se for pra ser menos que isso
Prefiro que não seja ninguém.
Mas se algum dia
Eu o encontrar,
Nada poderá nos separar.

Até lá,
Prefiro a solidão acolhedora dos bosques.
E a companhia
Da madrugada chuvosa e fria.
Pois o inverno já nos envolve
Com seu abraços e beijos
De cristal de gelo.

Quando eu me for

























Desci até as profundezas do oceano
E estive junto das mais lendárias criaturas.
As sereias me ensinaram o seu canto hipnótico.
E o as ondas, o poder sedutor do seu bailar
De azul submarino.
E era tão bom estar naquele lugar
De algas e águas tranquilas.
E tudo foi perfeito...
Até o dia que uma tempestade profunda e invejosa
Atirou-me de volta a superfície.
E desde então tenho tentado viver
Entre essa gente estranha aqui da terra.
Mas não sei até quando eu conseguirei.
Meu mundo não é esse.
Quero voltar para o infinito azul...
Mas quando eu me for
Não será para o orgulhoso mar.
Eu quero mesmo é voar
No glorioso céu dos céus...
Ali eternamente eu irei morar.

Chance




















Não posso falar de amor.
Pois não há nada
Nenhum fragmento deste sentimento
Dentro do meu peito.
E eu não sei viver assim.
Estar vazia de amor
É como estar vazia de mim.
Faz tanto tempo que eu o procuro
E não o acho.
Encontrei sim pelo caminho
Imitações dele
Do glorioso e iluminado, amor.
Mas nunca o tive perto.
Nem senti o vento do bater
De suas delicadas asas
Isso é certo.
O tempo é curto, a vida mais ainda.
E já não tenho certeza
Que algum dia
Iremos ter a chance de nos conhecer.