
Tu me vê de uma maneira tão pequena.
Mas não sou um grão de areia
Perdida na palma da tua mão.
Já fui sim,
Lágrima de amor perfeita.
E morei tanto tempo
Em teu rosto de mármore infinito.
Mas sabes,
Guardei em meu corpo
O aroma de orquídeas selvagens
Das montanhas que estão escondidas
No fim do arco-íris.
Para dar a um ser nobre e cortês.
Quente e luminoso como um sol de verão.
Com um olhar simples como os das pombas.
Que tenha a leveza das alegres borboletas
E a doçura terna e entregada dos cães.
Mas principalmente quero
Que as suas asas sejam
Como as minhas.
Quero reconhecer o seu canto
Assim como os pássaros fêmeas
Reconhecem e escolhem
O seu par pra toda a vida.
Quero alguém que me veja
Não de uma maneira distorcida.
Pois podemos olhar algo ou alguém
E mesmo assim não o ver
Na sua plenitude de ser.
Se for pra ser menos que isso
Prefiro que não seja ninguém.
Mas se algum dia
Eu o encontrar,
Nada poderá nos separar.
Até lá,
Prefiro a solidão acolhedora dos bosques.
E a companhia
Da madrugada chuvosa e fria.
Pois o inverno já nos envolve
Com seu abraços e beijos
De cristal de gelo.

