segunda-feira, 30 de maio de 2011

O intocável



As coisas simples
E ao mesmo tempo infinitas,
Não são mais sentidas
Pela maioria...
Mesmo assim eu ainda canto.
Como quem procura desesperadamente
Aquela pedra perdida e queimante, a vida.
Abro os meus ouvidos para
Quem sabe escutar algum som perdido
Nessa selva obscura e fria.
E sabe o que encontro?
O nada...
Nenhuma voz parecida com a minha.

Eu gostaria tanto de voar nas asas
De um raio de luz.
Receber um beijo da chuva.
Ganhar um coração ensolarado de tanta ternura.
Eu sei, sempre quero muito mais.
O inalcançável talvez
Trará a minha paz.
Mas e se ele for só uma quimera?
Irreal ilusão de uma antiga primavera.
É mais certo que o seja.

E o intocável, puro, e verdadeiro amor
Ainda perambula pelas ruas a minha espera.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Momentos são estrelas cadentes

























Hoje lembro-me
Com clareza,
Dos muitos
Momentos de alegria
Em que eu guardei dentro de mim
Tantos beijos e abraços
Sem os dar e perceber
Que aqueles eram
Momentos de felicidade
Os quais por um motivo lógico
Eu não mais desfrutaria.
Esbaldar-me-ia em outros, claro.
Mas aqueles de novo
Jamais os teria.
Pois cada minuto de alegria
É único!

Eu não vivi intensamente minha alegria.
Nem a dediquei todo o meu ser.
Não dei tudo o que ela merecia.

Seria bom retroceder
Os ponteiros do tempo.
Ah! como seria...

Momentos... momentos...
São estrelas cadentes
Que se vão
Para todo o sempre...

E por falar em momentos,
Lembro-me dos de dor e agonia.
Das minhas pálpebras tão frias.
As quais sepultaram tantas lágrimas
Em vida.
Impedindo-as de verem
A terna luz do dia.
Talvez por esse motivo
Ouço as almas dessas lágrimas
Arrastarem correntes dentro de mim.
Afinal, foram muitas as tristezas
Guardadas aqui.

Eu não vivi intensamente a minha dor.
Nem a dediquei todo o meu ser.
Não dei tudo o que ela merecia.

Seria bom retroceder
Os ponteiros do tempo.
Ah! como seria...

Momentos... momentos...
São estrelas cadentes
Que se vão
Para todo o sempre...

E amor… Ah! o amor...
Já disseram tanto sobre ele.
Que não é eterno posto que é chama...
Outro, que jamais acaba...
Deixando as contradições de lado
Lembro-me dos momentos de amor.
Do passado.
Hoje penso o quanto errei,
Não por ter amado.
Mas ter demonstrando
Tão pouco meus sentimentos
Ao ser amado.
Devia ter enlouquecido
No bom sentido.
Dado asas a imaginação.
Estímulos mil ao coração!
Corrido de braços dados na chuva
Com minha doce e querida paixão!
Podemos fazer tanto.
Mas no fim fazemos tão pouco...

Eu não vivi intensamente o meu amor.
Não o dediquei todo o me ser.
Não dei tudo o que ele merecia.

Seria bom retroceder
Os ponteiros do tempo.
Ah! como seria...

Momentos... momentos...
São estrelas cadentes
Que se vão
Para todo o sempre...

Efêmera existência

Apegar-se a que, a quem?
Se ninguém é capaz
De dar o seu mundo a outro.
E cada vez mais vivemos isolados
Em nós mesmo.
Pensamos em primeiro lugar,
No dinheiro, erguemos altares a ele.
Sacrificamos tudo por esse grande deus.
Enquanto o mundo gira,
A vida passa,
E as pessoas, essas vão-se para sempre.

E como será daqui a 30 anos?
Quando acordarmos no meio da noite
E olharmos para outro lado da cama
O que ou quem encontraremos?
Um lugar vazio como nosso coração,
O talvez um rosto frio, desconhecido de alguém
Que passou longe de ser especial para nós.

Pois a vida passa...
As promessas não são cumpridas...
E a pessoa que mais nos tocou por dentro
Aquela que cada segundo ao seu lado seria
O melhor e mais incrível possível,
Nós a deixamos ir...

Virás em minha direção





















No meio da madrugada
Nessas horas de obscura aflição,
Acordei sobressaltada ouvindo:
_Virás em minha direção!

Meio atônita, levantei.
Perambulei pela casa
Tentando descobrir
De onde viera
Tão sublime afirmação.

Procurei em cada direção
Sai pelas ruas.
Perguntei até pra lua
Que me disse sorrindo:
_Olha para dentro.
Vasculha o baú das recordações.
Que tu saberás onde procurar.

Voltei pra casa.
E pus-me a revirar
Cada lugar de dentro de mim.
Onde eu pudesse algo encontrar.

Achei um bilhete
Que dizia...
“Virás em minha direção!”
E eu respondo:
Quando menos esperares
Estarei diante de ti.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Constelação de amar




Infinitamente mais





















Dá-me mais...
Muito mais...
Quero teus beijos multiplicados.
Tuas saliva doce e quente.
E a pele branca como a paz!

Dá-me mais...
Muito mais...
Quero tuas mãos ansiosas.
Tuas carícias escandalosas.
E o ímpeto que só o amor nos dá!

Dá-me mais...
Muito mais...
Quero tuas unhas, pele, cabelos.
Teus escuros e claros segredos
E o úmido e faminto desejo!

Dá-me mais...
Muito mais...
Quero ver de novo atrás do teu véu.
Tuas verdades, mentiras.
E a ternura delicadamente mansa de teu céu...

Dá-me mais...
Infinitamente mais...
Antes que escureça.
E eu não veja mais com clareza.
Toda tua singela grandeza...

Até o amanhecer





















Sinto o nascer de cada uma delas.
Sou como a parturiente em dor!
E em cada contração,
Vejo-as uma a uma
Saindo de dentro de mim.
E diante de todos
As abençoo, por serem
formosas! Filhas tão ditosas!
Concebidas com o amor, dor.
As vezes com ódio, rancor.

Mas não importa,
Qual o pai doou a semente.
Seja o sentimento que for
As amo igualmente.
Sinto meu sangue
Correndo em suas veias!
Vejo meus traços em seus rostinhos
Serenos, doces,
amargos, insanos,
Mundanos...

São o osso do meu osso...
Carne da minha carne...
Quero continuar a deliciar-me.
Sentir-me sacudida! Arrebatada!
Impregnada por e com elas.
Oferecer-lhes meu colo
Para chorarem quando estiverem perdidas.
Meus braços quando quiserem o calor de um afago.
Meu útero para nascerem
Quando ninguém mais as quiser.

Oh! Palavras! Palavras!

Andam vós como almas penadas...
Por falta de quem as queira receber!
Mas eu estarei sempre aqui
Venham todas!
Sem demora...
As espero toda tarde, noite.
Esperarei até o amanhecer.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lira do amor recém-chegado

Aventurar-me-ei em teus braços.
Com as ondas deixam-se levar...
Por todos os caminhos
Onde deseja o mar.

Pássaro viajante,
Não quer deixar de voar.
Pois sentir o vento nas asas
Impede-o de chorar.

Querer-te me faz bem!
Faz com que eu me sinta viva.
Inteiramente plena...
Serena e tua.

Sentir-te me ilumina!

Para Felipe... (Uma alma parecida com a minha)

Despedida de um amor

A madrugada é longa e fria,
Minha vida!
E eu não queria
Tua partida.

E tu estarás para sempre
Em meu coração.
E esse gosto de sei lá o que
Em meus lábios.
E a sensação de vazio
Estão me confundindo.

Vivendo sem ver
Teus olhos.
Vou andando em meio a solidão
Das tardes silenciosas.
Virando do avesso
Todos os caminhos.

A madrugada é longa e fria,
Minha vida!
Eu não queria
Tua partida.

Consolar-me quem poderá?!
Não há de haver em nenhum lugar
Pessoa mais ensolarada do que tu.
Bendito entre os amados!
Querido e desejado...
Escolhido pelo meu amor.

Pela minha insanidade.
Pois foi uma aventura louca te amar!
Tão doce-amargo!
Amargo-doce!
Delicado-rude!
Ilusão versos realidade.
Soam como sinos imutáveis.
Badalam...
Badalam...
Não se calam.

Pois é chegada a hora!
Amigo, amado, querido, amante.
Ausente, presente, passado constante.
Acaso qual destes tu foste mais?

A madrugada é longa e fria,
Minha vida!
E eu não queria
Tua partida.

Mas deixo-o ir em paz!

Braços de trigo

Teus olhos me consomem...
Esses dois raios de luz celeste.
Não deixa-me dormir a noite.
Invadem meu peito,
Quase me enlouquecem!

Esquadrinhando-me até a exaustão.
Procurando saber,
Se em cada canto do meu ser
Haverá lugar pra mais alguém
Que não sejam eles.
Estrelas de luz ardentes.
Poços infinitos do amanhecer...

Amados meus! Crianças minhas!
Não percam inutilmente a vossa paz.
Durmam tranquilos...
Em meus braços feitos de trigo.
Criados para os embalar...

Amanheceu em mim

Chamei-te de anjo...
Quando tocaste com
A ponta de teus dedos
As janelas do meu coração!
Neste momento soube,
Não era eu...
E sim tu a pessoa por quem
Se fizeram todas as coisas.
E não em mim
Residiam a beleza impura,
O fogo que cura,
E a singela loucura.

Chamei-te de amor...
Quando beijaste meus lábios.
E nas linhas da tua boca,
Provei todo encanto e doçura
Guardados não para outra.
Neste momento soube
Que a vida
Não era mais minha.
E sim tua.
Assim como a lua é da noite.
O sol é do dia.
E o céu de quem voa.

Chamei-te de música...
Quando dançaste em minha alma.
Bailando com delicadeza.
Neste momento soube
Com toda certeza: sou amada!
Ansiosamente desejada.
Enfim é o fim da tristeza
Começou a alvorada.
Amanheceu em mim!
Tudo agora é luz iluminada.
Nada será perdido
Antes da última parada.

E neste derradeiro momento,
Quando apagarem-se as luzes,
Os sonhos, os gemidos e as brasas
Ao olhar para lado
Não quero encontrar mais nada,
Além do teu olhar.